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Ecos de nossos amigos

De Zeferino Sakapepa (Filho da Caridade)

 

Eu escolhi a vida religiosa por amor a Deus e ao próximo, para ser testemunho vivo de Jesus Cristo. Na história da minha vida tenho presente não só o anúncio do evangelho de Jesus Cristo, mas também a espiritualidade do fundador dos «Filhos da Caridade» e a sua tradição Falo da espiritualidade porque é nela onde está o alimento da congregação e da sua fidelidade ao fundador; tradição porque somos herdeiros de uma história religiosa inserida no mundo com uma especificidade bem precisa.

O Pe. Anizan num dos seus escritos diz que: “devemos amar os pobres, os sem abrigo, os abandonados os excluídos, porque neles está a imagem do Salvador vivo no meio de nós”. Esta referência ao Pe. Anizan Fundador dos Filhos da Caridade e das Auxiliadoras da Caridade, faz-me revitalizar a história da minha fé.

Março 2007 - Portugal

Ser cristão é uma tarefa exigente. Implica na vida do dia-a-dia ser testemunho de Jesus Cristo e mostrar através das nossas atitudes os valores cristãos. Ser cristão significa estar atento ao outro e amar, é ter sempre como objectivo a transformação do meio onde nos encontramos.

Ser militante da Juventude Operária Católica tem-me feito reflectir sobre o meu papel neste mundo como “fermento na massa”, isto é, pela diferença do meu comportamento levar outros a se questionarem a si próprios sobre as suas acçõesPara mim, ser Cristão é ir aos problemas das pessoas e ter acções transformadoras de acordo com o projecto de Jesus Cristo.

Todos nós somos chamados a ser testemunhos deste projecto de amor e de transformação de Cristo.

Rui Lavoura – JOC Portugal 2007

Echos des 80 ans de la Congrégation

" A minha resposta é, em primeiro lugar, uma grande acção de graças pelos 80 anos desta Congregação, um dom de Deus dado à Igreja ao serviço da evangelização do mundo operário.

Em seguida, este desafio levou-me a recordar os primeiros passos para a implantação em Portugal de uma comunidade da Congregação. Foi em Outubro de 1978. Estava eu também a fazer a minha inserção na diocese de Setúbal. Fui procurado pela Ana Maria e pela Lisa que vinham para “sondar a região com vista a uma futura implantação”. Acompanhei, com muito gosto e com muita esperança, esses primeiros passos. Via nessa iniciativa uma oportunidade de reforçar e ampliar este esforço de Igreja em Mundo Operário, em união com os Movimentos Operários da Acção Católica – JOC e LOC – e com o apoio do Bispo da Diocese, D. Manuel Martins.

Começámos por estabelecer contacto com pessoas ligadas a esta mesma missão e visitámos algumas grandes empresas da região, como a Setenave.

As primeiras preocupações eram iguais às de qualquer imigrante que chega a uma terra estranha: encontrar um lugar para viver e um emprego e ao mesmo tempo ir conhecendo pessoas.

Recordo aquela cave, pequena e desconfortável, cedida pela senhora Iglantina e que serviu de primeira habitação; os encontros com o Paixão da Setenave, o João e o Henrique (Irmãozinhos de Jesus), o Carlos e a Joaquina (militantes operários cristãos), a Natália e o Maciel, (da área da Saúde, com vista a um emprego para a Ana Maria, enfermeira), Eugénia e José Marcelino, entre outros.

Foi assim o lançar dos primeiros laços duma rede que foi crescendo e se estendeu pelos bairros pobres de Setúbal e se encheu de crianças, jovens e adultos, de várias cores e raças. Destaco os cabo-verdianos e os timorenses, além dos portugueses, claro.

A equipa também foi crescendo com a integração da Nadette, a Maria do Céu, a Palmira e a São. O Bairro da Bela Vista e a Associação dos cabo-verdianos foram locais privilegiados de presença e de acção.

A participação activa na animação da JOC e da LOC, bem como na fundação do MAAC, são a expressão concreta duma missão assumida e vivida ao serviço dos mais pobres.

Tudo isto era alimentado com um clima de oração, revisão de vida, celebração e convívio, em que muitas vezes tive o privilégio de participar. "

Padre Horácio Noronha

"Sinceramente admiro quem vive nas cidades. Quem se acumula e amontoa com ordem e fair play, ainda que forçado e indiferente.

Conheci as Irmãs Auxiliadoras da Caridade quando vim para a cidade. Conhecia-as em Aveiro. Para mim são mulheres da cidade, não me espanta que aqui estejam. Estão no seu meio natural. Vivem num prédio, com vizinhos por cima, por baixo e de ambos os lados. Há quem pense - eu conheço quem o pensa - que não deviam viver ali. Eu acho que sim, não se devem tirar os peixes da água que eles afogam-se!

Visitei-as na sua casa, rezei na sua casa, comi, ri e trabalhei em sua casa. É bonito entrar ali. É bom que ali se encontrem, como o sal na comida.

Todos os bairros, todas as comunidades têm a sua história. O Bairro de Santiago também. Talvez não seja uma história gloriosa, talvez seja conflituosa. Talvez seja uma história sem grandes motivos de orgulho, talvez se acoitem ali demasiadas memórias feridas, rasgadas. Talvez ali as asas - mesmo as dos jovens - permaneçam partidas, rotas, estacionadas como navios em agonia aguardando o abate. Talvez os sonhos vagueiem por ali truncados e emparedados. Ou talvez a esperança não tenha ali ainda morrido. Como em Betânia.

Quando se entra na Casa das Irmãs vê-se a cozinha, a capela e a sala de jantar. Tudo muito pertinho e unido. Tudo muito simples, porque o complicado não é de Deus. Têm muitas recordações de muitas outras Irmãs. Uma fez um quadro, outra um crucifixo; uma ofereceu uma tapeçaria, outra um poema; uma uma jarra, outra uma Nossa Senhora. E o sacrário? O sacrário estava ali tão espantosamente perto, numa intimidade simples e desprovida de rodeios! Havia uma cortina que salvaguardava o recato da Glória divina que estava ali, ali mesmo, ali, ali mesmo à mão de semear. Há vocações que são assim, feitas de proximidades e cumplicidades, de vizinhanças serenas e ousadias consentidas. Aquele sacrário e aquela cortina e aqueles banquinhos e aquele recanto eram dali, pois é daquele jeito que Ele quer estar no Bairro.

O Bairro de S. Tiago em Aveiro tem no coração uma pitadinha de Sal, um raiozinho de Sol. Estão lá as Irmãs Auxiliadoras da Caridade. São uma família diferente entre famílias esperadamente diferentes. Têm história, têm memória, têm esperança, têm futuro. Porque vivem num bairro, o seu Bairro. Vivem ali diluídas, discretas, serenas, presentes, atentas, actuantes. Como o Sal. Como o sacrário que têm em casa. Julgo que nem todo o Bairro as conhece, mas elas que ali vivem sabem que os problemas do seu condomínio, prédio e bairro são os seus. E motivo da sua oração. Da sua consagração. É a sua maneira de conhecerem o seu Bairro, de pertencer àquela comunidade, de amarem aqueles irmãos de sonhos rotos e frustrações acumuladas. Elas comungam sonhos, bebem as mesmas frustrações, anseiam pelas mesmas ânsias, rezam pelas mesmas esperanças, aparentam os mesmos cansaços. Com amor. Por compromisso. Como auxiliadoras. Não precisam de muito mais para serem freiras, digo Irmãs, consagradas, sal e luz. Aquele por quem elas se consagraram fez o resto. Faz o resto. Vai animando-as a que comunguem os acasos e ocasos daquele Bairro, ali mantenham vivo o Sal e a Luz, Jesus no meio do seu povo. Como libertador. Como esperança.

Dizem-me que no mundo há mais bairros, como também na minha terra há mais colinas e mais ribeiros. O que não há é nenhum como este onde estão as Irmãs. Haverá bairros piores, espantosos, terríveis. Se em todos eles houver corações que semeiem sacrários, como o fazem as Auxiliadoras de Aveiro, eu garanto que terão um pouco mais de luz, serenidade e paz.

Desde há dez anos o Bairro de S. Tiago, em Aveiro, é mais feliz, mais sereno e com o céu dentro de si. Há muitos que o não sabem, e essa é razão para que elas ali restem.

Não se apagam as candeias antes que os galos anunciem a manhã e feliz desponte a aurora. Não seja que o céu se vá e jamais alguém o devolva.

Frei João Costa - Portugal

" Ao estarem integradas no mundo do trabalho, ao serem uma entre as outras, sofrerem as dificuldades dos que sofrem e numa espiritualidade de fé, de oração conseguem ser testemunhas dos valores evangélicos para os que procuram uma luz, um caminho, uma vida.

Caridade - Amar a Deus e ao próximo. É este amor que as caracteriza quando encarnam a vida dos que trabalham, dos que sofrem as dificuldades do dia a dia, fazendo “o pão-nosso de cada dia” também quando vivem o grande pecado social do desemprego, dos que têm dúvidas…

Ana e Abel - Portugal

" As irmãs auxiliadoras que eu conheço são mulheres de grande paz interior que a transmitem, através do olhar e das palavras.

A sua casa é uma porta aberta, para acolher a todos os que precisam. Elas são um ombro amigo em quem se pode confiar.

Para toda a gente há sempre uma palavra amiga, sempre atentas aos problemas dos outros, por vezes uma ajuda em pequenos gestos que sensibilizam quem os recebe.

As suas palavras são sempre no sentido de defender aqueles que precisam que alguém os ajude a dar voz aos seus problemas, mesmo que isso represente desafiar alguns poderosos.

É importante o trabalho que fazem

- Com as famílias deste bairro - disponibilizando-se para ouvir e acolher aqueles que precisam.

- Com as crianças - porque algumas são maltratadas e precisam de outras referências, para que sintam que ainda há quem gosta delas.

- Com os jovens e adolescentes - porque precisam de ocupação para os tempos livres para não enveredarem por maus caminhos (roubos e droga).

- Com os grupos de oração - com a interpretação das passagens da Bíblia, estão a despertar nos que lá vão o gosto para saber mais.

Penso que muita gente deste bairro gostava de não as ver partir um dia. Ainda temos muito que aprender com elas.

Lurdes - Portugal

“A presença das Auxiliadoras da Caridade entre nós, ajuda-nos a recordar a força renovadora da vida religiosa e a guardar fortemente a memória das palavras do Papa João XXII no fim dos anos 60, quando ele afirmava a necessidade para a Igreja de abrir as suas janelas ás realidades do mundo, para que assim a Igreja de Jesus Cristo não cesse nunca de ser Igreja dos pobres.

O carisma das Auxiliadoras da Caridade, não precisamos de muitas palavras para o dizer… é suficiente conversar com elas para descobrir a sua preocupação vital frente aos problemas das pessoas, não somente para as reconfortar, mas também para unir o conselho às pessoas e a procura de respostas humanas, pessoais, sociais e colectivas face aos sofrimentos e às injustiças que vivem os trabalhadores das “maquilhas”, dos jovens em situação de risco e tantas mães abandonadas. É suficiente vê-las percorrer as ruas cheias de pó e quentes dos nossos bairros para tomarmos consciência que o seu carisma é inseparável da sua inserção na humanidade dos pobres. E a partir desta inserção, acompanhar os pobres nas suas organizações e nas suas lutas para procurar respostas imediatas e estruturais aos seus problemas

… As nossas companheiras de missão são poucas, mas elas sabem fazer o barulho que O Senhor manda num mundo tão preso pela injustiça e pela violência.”

Padre Melo – Honduras

“Cada comunidade representa toda uma riqueza de vida”

“Vós tendes tesouros a explorar”

“Cada uma pode prosseguir a missão até ao fim, mesmo nas casas de repouso, nos lares…”

“Eu vejo a actividade de Deus em todos os seus rostos”

“Contemplar e agir, que vocação bonita!”

“É importante, de poder ver uma mesma missão com rostos tão diferentes… riquezas do Evangelho, da missão, do Internacional… fidelidade ao Espírito Santo no quotidiano… senti uma abertura ao mundo”

Vocês têm fundadores que tiveram uma intuição genial… tudo isso é o significado daquilo que viveis à vossa volta… viver no coração do povo fala-me, a forma de transmitir o vosso carisma interessa-me.”

“Vocês são verdadeiramente internacionais, vocês são como um anel que fica, que liga as coisas e as pessoas… isso faz com que tenha sentido, que dure e que se alargue.”

França

“Era estrangeiro…” Dia mundial do Emigrante

 

“Sou um emigrante, quem me dará uma terra para as minhas raízes?”

Tantas pessoas que vivem dia a dia a dura experiência de deixar o seu país.

No entanto, lá onde elas esperam encontrar uma vida melhor, elas são, por vezes, confrontadas à indiferença, á rejeição.

Senhor, Tu que nos criaste à Tua imagem, ajuda-nos a nos recordar que cada Homem é uma história sagrada e merece respeito e amor fraterno.

Deixamos por vezes a nossa terra natal com o coração pesado, deixando atrás de nós os amigos e os que amamos, mas a Tua Providência, Senhor, sabe colocar no nosso caminho homens e mulheres que nos ajudam nas nossas penas, nas nossas dores.

Ajuda-nos Senhor, a agir sempre com amor e reconhecimento em relação aos que nos acolheram e ajudaram na nossa terra de adopção.

“Todos os Homens são crianças de um mesmo Pai”: é a mensagem que nos ensina o Evangelho, mas esta mensagem é frequentemente abafada em nós pelas nossa ideias pré-concebidas, os nossos medos, a nossa tendência de nos fecharmos sobre nós mesmos.

Senhor, Tu que não hesitavas em encontrar o estrangeiro, ajuda-nos a ir ao encontro dos nossos irmãos de outras línguas – origens e religião.

Aquele que se mete a caminho, recorda-nos, a nós cristãos, que somos todos peregrinos no mundo. Numerosos são os que consagram a sua peregrinação terrestre ao serviço dos seus irmãos e irmãs que precisam.

Ampara-os Senhor, e suscita sempre homens e mulheres de boa vontade que trabalham por um mundo mais justo e fraterno.

Oração escrita por um imigrante da Eslovénia

 

 

Senhor, guarda-me o sentido de humor

Que remete coisas, pessoas e a mim mesmo ao seu lugar.

Guarda-me o sorriso e o riso

Faz de mim, Senhor,

Uma pessoa generosa que sabe partilhar

O seu bem, o seu tempo e as flores do seu jardim.

Faz de mim Senhor, uma pessoa

Que não esquece a sua juventude

E que rejuvenesce a juventude dos outros.

Senhor, que fixaste as estações do ano

E as da vida

Faz com que eu seja uma pessoa de todas as estações

Para que a minha última estação

Seja bonita e possa testemunhar o Vosso Nome.

Obrigada.

Oração de uma mãe de família

 

 
 
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