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Jean
Émile Anizan (1853-1928)
Animado
por uma dupla paixão:
Thérèse Joly (1879-1956):
Recebe o
projecto inicial do Pe. Anizan e é encarregada da sua realização
No dia 15
de Outubro de 1926, o Pe. Anizan e a Madre Teresa Joly fundam a
Congregação das Auxiliadoras da Caridade. Os dois foram, cada um de
acordo com a sua personalidade e sensibilidade, sensíveis às
questões levantadas pela evangelização dos bairros populares e dos
subúrbios operários, pois aqueles que vivem nestes bairros e
subúrbios são tocados por um trabalho pesado, pela pobreza e por um
afastamento da Igreja.
(escritos das Auxiliadoras da Caridade)
A espiritualidade do Pe. Anizan:
A
primeira experiência decisiva para Anizan foi a descoberta de uma
comunidade de trabalhadores nos arredores dos subúrbios de Paris. A
comunidade de trabalhadores e dos pobres é um dos lugares onde o
Espírito não deixará de soprar sobre Anizan.
…É o
mesmo Espírito que chama Anizan para evangelizar o povo e, ao mesmo
tempo, lhe insufla o sentimento de sua pequenez, da sua inutilidade
diante de Deus a quem ele quer servir. Deus faz nascer e crescer em
Anizan uma dupla paixão: dedicar-se aos trabalhadores e ser
totalmente de Deus…Então nasce nele esta dupla corrente: o mal de
Deus e o mal do povo que ele expressa também como o mal do
ministério do povo.
…O centro
unificador da espiritualidade de Anizan é a pessoa de Jesus em quem
a paixão pela evangelização das multidões e a paixão pelo Pai se
unificam no mesmo amor de caridade…Se se perguntar a Anizan onde
encontra sua espiritualidade e a nossa, ele responde: “O nosso
primeiro livro de espiritualidade deve ser o Evangelho.” Mas para
ele, o Evangelho é alguém: Jesus. A espiritualidade de Anizan é de
actualizar hoje o amor de Jesus evangelizando as multidões pobres e
trabalhadoras do seu tempo…O mal de Deus e o mal do povo unificam-se
na caridade de Jesus quando se mostrou mais “Homem”
(tirado de um artigo de A. Rebré, Filho da Caridade, da revista
“Chantiers dos Filhos da Caridade” nº95/1992.)
A espiritualidade de Madre Teresa Joly
“ Madre
Teresa insistia sobre a importância do espírito contemplativo e
queria verdadeiras religiosas para realizar o projecto do Pe Anizan.
Queria
também para a congregação um amor pelas famílias populares, a
inquietação pela penetração das massas. No momento das primeiras
fundações, foram enviadas em primeiro lugar às paróquias suburbanas.
““Somos feitas para as cidades operárias, os grandes bairros
operários; somos pioneiras, “desbravadoras””
Os nossos
fundadores discerniram em Teresa de Ávila uma experiência de vida
espiritual em harmonia com a missão que nos deixavam.
… “O
realismo espiritual do Carmelo é para nós um apelo para que nos
deixemos interrogar pelos tempos actuais tais como os vive o mundo
operário, tal como os vive a Igreja, no seio do mundo popular dos
pobres, dos operários.”
(tirado dos escritos das Auxiliadoras da Caridade – 1971)
“Numa sociedade que não pára de evoluir, Jesus Cristo chama-nos a
viver hoje o carisma dos Auxiliadoras da Caridade. É um trabalho de
fundação, onde não partimos de nada. Somos herdeiras de uma
história…. Salientamos a missão que foi confiada, desde a fundação,
à Madre Thérèse Joly, pelo Padre Anizan, os acontecimentos que a
influenciaram, os caminhos que esta missão tomou durante as
evoluções da sociedade. Através destes circuitos tem-se manifestado
constantemente uma fidelidade ao projecto inicial: um Instituto
religioso, ao serviço da humanização e da evangelização do mundo
popular dos bairros, dos trabalhadores. Mulheres consagradas que
procuram ser testemunho da Caridade de Cristo pelo seu povo, entre
outras coisas pela sua vida comunitária…
… Poderíamos dizer que, em cada época, em cada momento, “o Amor
Cristo nos impele” para irmos até aos preferidos do coração de Deus,
os abandonados, os que sofrem, os que não contam, não têm valor no
entender da sociedade, o povo dos trabalhadores, hoje frequentemente
reduzidos ao desemprego, à insegurança, à precariedade… A
proximidade torna-se partilha da sua vida, das suas esperanças, dos
seus combates colectivos. Procurando comungar do olhar amoroso e
criador de Deus sobre cada um deles, privilegiamos a escuta,
descobrimos as capacidades e riquezas que permitem guardar, para lá
dos obstáculos o cabo da esperança.”
(escritos das Auxiliadoras da Caridade – 2006)
“O Espírito leva-nos a acolher em Igreja as adaptações e orientações
necessárias à nossa época. Assim, permanecemos fiéis à intuição dos
nossos fundadores que nos desejaram atentas a todos os meios graças
aos quais a mensagem de Jesus Cristo poderá ser vivida e revelada em
mundo operário.”
Constituições n.º 18
“Os leigos apreendem-se dos nossos textos fundadores; somos chamadas
a aprofundar e a partilhar entre nós, e com eles, a nossa
espiritualidade, para os enriquecer com as nossas diferenças…
Como o Padre Anizan e Madre Thérèse, recebemos o chamamento para
sermos pedras de fundação com os leigos adultos e com os jovens,
desbravadoras num mundo apaixonante, mas que ao mesmo tempo exclui
os mais fracos.
Temos uma experiência espiritual apostólica alimentada no Evangelho,
dos nossos escritos e do Carmelo. Esta experiência é vivida no meio
das nossas realidades nos três
países e pode ser oferecida a todos, na riqueza das diversidades das
realidades humanas e religiosas…”
(Actas do Capítulo - Fevereiro de 2007)
“Em Igreja, segundo o carisma que nos é próprio temos de testemunhar
de uma maneira específica que Deus é o absoluto da nossa vida e o
Seu amor dá o sentido último à vida e à história dos homens.”
Constituições n.º 20
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