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Viver, anunciar, celebrar o Evangelho de Jesus Cristo

 

«Assim como o Pai me tem amor,

assim Eu vos amo a vós.

Permanecei no meu amor.

Jo 15, 9

 

Sede de fogo para Deus!

Não somos suficientemente imprudentes

É necessário lançar-se

É necessário ir ao povo!

E quem se lançará em direcção ao povo senão nós!

 

Padre Jean Émile Anizan

 

"Este amor que deveis ter umas pelas outras é tão importante que eu gostaria que não o esqueçais nunca!"

5ª Morada de Teresa de Ávila

 

“Auxiliadoras da Caridade comprometidas no seguimento de Jesus Cristo, sentimos a necessidade nesta etapa da nossa história e da nossa procura de nos re-dinamizar juntas para renovar o nosso desejo de fraternidade e de comunhão que aparece como um chamamento profético que o mundo precisa…

Inseridas, hoje, no mundo, chamadas a criar relações novas, somos responsáveis juntas, de reinventar a solidariedade numa atitude de dar e receber.”

Actas do Capítulo de 2007

 

 

“Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.”

Actos 2 ,44-45

 

 

 

A Caridade como uma função da Igreja

 

"O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus níveis: desde a comunidade local passando pela Igreja particular até à Igreja universal na sua globalidade."

Carta Encíclica, DEUS CARITAS EST, do Sumo Pontífice Bento XVI aos Bispos, aos Presbíteros, aos diáconos e às pessoas Consagradas e a todos dos fiéis leigos, sobre o Amor Cristão, n.º 20

Comprometidas, no curso de alfabetização, na “casa do Bairro”, partilho simplesmente o que vivo. O curso é um momento de alegria. É verdade!

Quem são as mulheres que vão ao curso de alfabetização e que participam activamente?

Magrebinos com idades que rondam os cinquenta anos dizem: “Dei tempo para o marido e as crianças. Os meus filhos têm o Bac+ (12ºAno). Agora, sou eu que quero aprender a ler e a escrever "

Jovens mulheres africanas ou cingalesas que chegam a França sem conhecer uma palavra de francês.

Gradualmente, tecem-se relações entre estas mulheres tão diferentes pela sua cultura, a sua história, a sua religião mas que também têm pontos comuns: a sua vontade de aprender, de encontrar uma certa autonomia para ser menos dependente do marido e das crianças. Moram na mesma cidade e reencontram-se no mercado, no supermercado, na escola…

Quais são as suas alegrias?

Alegria de constatar que progridem gradualmente em direcção à autonomia:

Mina, não abaixa mais a cabeça dizendo “Mina não fala” mas olha-me com o sorriso quando são 11h 30 e me diz “vou buscar o meu filho ao jardim-de-infância.

Zahia segreda-me ao ouvido: “Ontem, fui sozinha ao médico” (sem o marido para traduzir)

Alegria de ver a atenção que têm umas pelas outras:

Fatima (Algériana) preocupa-se com a ausência de Boudja (senegalesa)

Alima (tunisina) procura explicar com paciência à Valma (cingalesa) que não entende.

O grupo entristece-se quando as cingalesas (Sri Lanka) que têm mais dificuldade, não acompanham o curso. No entanto não há risotas entre elas, existem sim, gestos de inter-ajuda para com as que são mais lentas.

Alegria em acolher o outro na sua diferença, compreender os diferentes costumes, respeitá-los.

Isto passa pela partilha das receitas culinárias e pelos aperitivos em conjunto, os costumes de casamento, os nascimentos, explicados umas às outras procurando as palavras e reformulá-las juntas.

Alegria de ver os laços que se tecem entre elas, a troca de conselhos para a procura de trabalho, as compras, as informações sobre a renovação do bairro…

Não conhecia ninguém quando cheguei a este bairro, e assim temos partilhado a vida mutuamente. O curso é para mim, uma manhã de trabalho e de convívio. Juntas, avançamos, damos passos em direcção à autonomia e à liberdade. Os nossos juízos sobre os muçulmanos, os cristãos, os africanos, os magrebinos caem por terra para deixar lugar, espaço, à humanidade, somos todas mulheres, esposas e mães. O “viver melhor” da família, do bairro, depende um pouco de nós. Em conjunto, construímos, dia a dia, o caminho da paz.

Comunidade em Seine Saint Denis

 

E tu, de quem estás próximo ?

Como?

 
 
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